quinta-feira, 20 de setembro de 2012

PM preso em operação na PB já foi investigado por CPI, diz deputado


Sargento foi investigado na CPI dos Grupos de Extermínio, diz Luiz Couto.

Sargento da PM foi preso durante Operação 'Esqueleto' em João Pessoa (Foto: Walter Paparazzo/G1)
Sargento da PM foi preso durante Operação 'Esqueleto' 
(Foto: Walter Paparazzo/G1)

O sargento da Polícia Militar Arnóbio Gomes Fernandes, que foi preso na quarta-feira (19) durante a Operação Esqueleto, já havia sido investigado por participar de um grupo de extermínio no Nordeste, segundo informou o deputado federal Luiz Couto (PT). O deputado foi relator, de 2003 a 2005, da Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) dos Grupos de Extermínio, que investigou a atuação dos grupos criminosos nos estados do Nordeste.

De acordo com o deputado, o sargento já havia sido detido em 2010 por um outro crime. “Ele tinha participação no grupo de extermínio e também apoio na organização criminosa. Ele foi preso em 2010 por porte ilegal de arma”, explicou.

A operação realizada nesta quarta foi conjunta das polícias Civil, Militar e Rodoviária Federal e deteve 42 pessoas suspeitas de envolvimento no tráfico de drogas e em homicídios na Grande João Pessoa. Segundo o delegado Cristiano Jacques, que coordenou a operação, Arnóbio Gomes prestava serviços de segurança particular para sub-chefes da quadrilha de tráfico de drogas.

De acordo com o Secretário de Segurança Pública da Paraíba, Cláudio Lima, um Inquérito Policial Militar (IPM) será aberto para investigar a participação do sargento na organização. O sargento também era candidato a vereador em Bayeux pelo partido PSL.

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O militar, depois de ouvido, foi levado ao 5º Batalhão da Polícia Militar onde ficaria detido. No entanto, segundo a assessoria da PM, por falta de vaga, foi levado para a 3ª Cia do 1º Batalhão da PM, em Cabedelo.

"Não apenas ele dava proteção, mas também, se as investigações se aprofundarem, teremos novos policiais envolvidos nessa atividade criminosa”, disse o deputado com base nas investigações da CPI. “Ninguém pode negar a existência de um grupo de extermínio”, afirma Luiz Couto.

Segundo mostram os resultados da CPI, a Paraíba está entre os quatro estados nordestinos com maior incidência de grupos de extermínio, junto com Pernambuco, Ceará e Bahia. “Graças a Deus a maioria dos policiais é composta de homens e mulheres de bem, mas tem aqueles no meio a serviço do crime organizado e esses devem ser retirados da polícia”, pontuou.

Operação Esqueleto

A Polícia Civil já pediu a transferência de alguns dos presos para presídios federais. A ação conjunta deteve 42 pessoas e desarticulou toda uma organização criminosa. Outros 8 mandados de prisão permanecem em aberto. Segundo o delegado Cristiano Jacques, a organização seria responsável por comandar o tráfico de drogas no estado, queimar ônibus, realizar rebeliões em presídios, além de ser mandante dos principais homicídios violentos registrados na Grande João Pessoa.
 
De acordo com a polícia, o grupo era responsável por 60% dos homicídios praticados em 2012 na região metropolitana de João Pessoa, na Paraíba. Algumas gravações divulgadas mostram que a quadrilha usava muita frieza e crueldade nas execuções. Veja ao lado gravações telefônicas que mostram os criminosos conversando sobre os crimes.

Foram expedidos 50 mandados de prisão, dos quais 42 foram cumpridos. 25 foram expedidos para suspeitos em liberdade e 17 são contra acusados que já estavam presos e atuavam de dentro dos presídios. Os suspeitos detidos durante a operação serão levados provisoriamente para presídios da capital paraibana.

No balanço apresentado na coletiva, a polícia informou que foram apreendidos um revólver, munição, aproximadamente 1 kg de crack, e uma grande quantia em dinheiro, incluindo doláres e sucres, moeda usada nos países da ALBA (Aliança Bolivariana para os Povos de Nossa América).

Delegado Cristiano Jacques (Foto: André Resende) 
Delegado Cristiano Jacques disse que a polícia não teme represálias 
(Foto: André Resende/G1)

O delegado Cristiano Jaques afirmou que essas prisões pode ser considerada a maior operação conjunta feita no estado. “Esta organização criminosa existia na Paraíba até hoje (19). A partir de agora posso afirmar que este grupo criminoso organizado não existe mais. É o fim do grupo organizado no estado”, sentenciou Jacques. Ainda conforme o delegado, a maioria dos crimes violentos cometidos na Região Metropolitina de João Pessoa serão reduzidos drasticamente.

Segundo investigações, a violência para executar as vítimas era uma característica marcante do grupo criminoso. A polícia afirma que traficantes rivais que "invadiam" a área da organização eram assassinados com requintes de crueldade.
 
Algumas dessas execuções, principalmente por esquartejamento, eram acompanhadas em tempo real, através de celulares, por criminosos do bando. Mais de 340 policiais participaram da operação.

Segundo a Polícia Civil, foi constatada no curso das investigações a existência de uma organização criminosa administrada de dentro dos presídios de João Pessoa, como se fosse uma verdadeira empresa. Os lideres que cumpriam pena detidos deixavam uma cartilha para que os integrantes livres cumprissem compromissos.

Ainda conforme a polícia o grupo tinha hierarquia e tarefas bem definidas, com gerentes, distribuidores, soldados do tráfico e vendedores diretos aos dependentes químicos. A organização criminosa atuava nos bairros periféricos da capital, bem como nos municípios de Santa Rita e Bayeux, na Grande João Pessoa.

Relação com outras organizações criminosas

Polícia concedeu coletiva para falar da Operação Esqueleto (Foto: André Resende) 
Polícia concedeu coletiva para falar da Operação Esqueleto
(Foto: André Resende/G1)
 
Para Cristiano Jaques, grande parte das drogas comercializadas pela organização criminosa paraibana desarticulada nesta quarta-feira (19) era fruto de parcerias com organizações criminosas de outros estados, como São Paulo. “Há indícios de que uma outra grande organização criminosa de São Paulo tinha vínculos com a organização desarticulada hoje na Paraíba. A investigação aponta que parte da droga comercializada aqui era enviada por São Paulo”, comentou.

O secretário de Segurança Pública da Paraíba, Cláudio Lima, afirmou que o combate ao tráfico de drogas e a violência consequente não passa apenas por ações do próprio estado, uma vez que as drogas não são produzidas na Paraíba. “Não temos produção de drogas. A maconha, o crack, a cocaína, o ecstasy são trazidos até as nossas cidades. A droga consumida no estado vem de fora. O combate ao tráfico tem que ser tratado como um trabalho conjunto em todo país”, explicou.

Lavagem de dinheiro

Presos na Operação 'Esqueleto' são encaminhados para Central de Polícia em João Pessoa (Foto: Walter Paparazzo/G1) 
Presos na Operação 'Esqueleto' são encaminhados para Central de Polícia em João Pessoa  
(Foto: Walter Paparazzo/G1)
 
Após o cumprimento do mandado de prisão e busca e apreensão, a polícia passará a investigar um esquema de lavagem de dinheiro utilizado pela organização criminosa. Segundo Cristiano Jacques, a quadrilha investia parte do dinheiro coletado com o tráfico de drogas na construção civil.

“Encontramos um grande prédio sendo construído na comunidade do Timbó, nos Bancários (em João Pessoa), que seria financiado com dinheiro de traficantes. Iremos investigar se outras casas construídas na comunidade possuem ligação com o grupo”, completou.

De acordo com o Jacques, a operação não acabou e o trabalho da polícia será contínuo. Para o delegado do Grupo de Operações Especiais da Polícia Civil (GOE), a polícia não teme represálias. “Iremos continuar reprimindo o crime que quer se organizar. Não tememos represálias, a polícia não vai, de forma alguma, temer bandidos”, declarou.


* Do G1 Paraíba

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